Eduardo Ritter: Pânico e delírio em Nova York.


Antes de mais nada, explico-me: sinto-me no direito de usurpar o título “pânico (ou medo) e delírio em qualquer coisa”, do Hunter Thompson, primeiro, porque ele usurpou de outrem; segundo, porque ele é meu objeto de estudo da minha tese de doutorado; e, terceiro, porque tem tudo a ver comigo e minha futura empreitada. Meu nome é Eduardo Ritter, tenho 30 anos, sou jornalista (Unijuí), mestre em Comunicação (PUCRS) e doutorando (PUCRS). Meu próximo objetivo é fazer estágio doutoral na New York University (NYU). A princípio, está tudo certo: já tenho a carta de aceite da NYU em mãos, agora resta cumprir os prazos. Qualificar em março, encaminhar visto e toda a porra burocrática que nos enfiam para que deixemos a terra tupiniquim temporariamente. Ainda não decidi se vou ficar em Nova York por seis meses ou um ano (a NYU deixou a meu critério decidir). Essa, a primeira vista, parece ser uma escolha fácil, mas há aspectos que o leitor entenderá no decorrer das colunas que complicam a minha decisão. Não vou abordar aqui, senão vou extrapolar no tamanho do texto e na paciência do leitor.

Pânico e delírio em Nova York. Mais do que uma referência e uma reverência a Hunter Thompson, é a descrição mais sucinta e acertada que posso fazer do que está para acontecer. Sinto pânico só de pensar em ficar nove horas em um avião, em passar pela turbulência do Triângulo das Bermudas (cogito fazer a viagem de navio), em me virar 24 horas falando só inglês, em estar numa cidade gigante e desconhecida (extra-midiaticamente falando), em ficar seis meses ou um ano longe da minha filha Larissa, que é a criatura que me guia desde que nasceu. Pânico de surtar, de perder o controle, de morrer, de falir, de pirar, de extrapolar. E delírio. Por estar na capital do mundo, por poder visitar lugares históricos, por estar onde Hunter Thompson esteve, por ter referências bibliográficas da minha tese (Robert Boynton e Rodney Benson) como co-orientadores, por ter a certeza de viver algo que eu sequer imagino que possa viver nesse momento. E, também, por perder o controle da situação (e quando temos?).

Enfim, ingresso nesse projeto, a convite da minha ex-colega e amiga Letícia, sonhando alto, pois, se tudo der certo, serão pelo menos dois anos escrevendo para o Meu Bairro Poa. Sou um xiru vindo lá das Missões (Santo Ângelo), que já passou por Porto Alegre, Ijuí, Bento Gonçalves, Balneário Camboriu (SC) e, atualmente, Pelotas, rumo a capital da pós-modernidade: Nova York. Um xiru que, de tradicionalista não tem nada, apenas a vontade de descobrir novos horizontes. Um xiru que tem como influências literárias autores que vão desde gaúchos como Erico Verissimo, Charles Kiefer, David Coimbra, Claudia Tajes, Moacyr Scliar, Caio Fernando Abreu, Mario Quintana, Juremir Machado da Silva, Luis Fernando Verissimo (é maldade botar os dois lado a lado), Vitor e Kledir Ramil, passando por clássicos universais como Nabokov, Jack London, Nietzsche, Freud, pela literatura beat, Kerouac, Ginsberg e Burroughs, pelos malditos John Fante, Bukowski, Pedro Juan Gutierrez, por outros brasileiros clássicos, Jorge Amado, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, por contemporâneos, Mario Prata, Fausto Wolfe, pelo pessoal do New Journalism, Capote, Talese, Wolfe, e muitos, muitos outros.

Espero que essa mescla entre leituras e práticas experienciais tragam a mesma sensação que o haxixe ou o whisky trazia ao Hunter Thompson. Não vou explicar quem ele é, pois certamente, nesses dois anos, vocês vão ler muito sobre ele.

Até o primeiro texto! Poutz, escrevi demais. Mas é bom irem se acostumando, pois assim como não gosto de beber pouco (se é para beber pouco, pra que beber?) também não gosto de foda rápida e de escrever pouco (se é para fazer uma leitura breve, então que vá assistir algo que preste na televisão). Bom, chega, falei (e bebi) demais. Hasta!

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