Educação 07012013 - Padre Reus1

Publicado no dia 7 janeiro 2013 | por Redação Meu Bairro

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Escola Padre Reus dá aula de como melhorar a educação

Há cerca de dez anos, a Escola Padre Reus era constantemente lembrada na comunidade pelos atos de violência entre alunos. Pichações, brigas no corredor e uso de drogas tomavam o lugar das aulas. A situação era tão ruim que a escola chegou a acumular dívidas e a não ter uma classe para cada aluno, tamanha era a incidência de depredações. Era um saco furado. Se de um lado o Estado investia em melhorias, de outro uma parte dos alunos acabava por destruir, pichar ou roubar os equipamentos.
A situação mudou para melhor quando, em 2004, sob nova direção, os educadores começaram a buscar soluções. Ruy Guimarães foi o diretor que deu início a esse processo. Ele lembra que a situação era caótica. “No final de 2003, quando assumimos pela primeira vez a direção, nós encontramos a escola completamente depredada, pichada, endividada e com um déficit de cerca de cem cadeiras e várias mesas”, salienta. Ele relata que, pouco antes de assumir, os alunos arremessavam as cadeiras das salas de aula para o pátio da escola e quebravam vidros: “Eram atos de vandalismo, mesmo”.

Antes constantemente marcada pelas ações de pichadores, agora a vista da frente da Escola Padre Reus é o reflexo da nova organização escolar.


Início da mudança

Com dívidas com seus fornecedores e sem equipamento adequado para o início das aulas, o novo grupo de professores tinha pouco tempo para fazer muitas mudanças. “Para se ter uma ideia, nós tivemos que começar o ano de 2004 com dois alunos dividindo uma carteira, porque as cadeiras e mesas tinham sido quebradas”. No início do ano, a direção entrou em contato com os credores, negociou e tentou reconquistar crédito para compra de materiais básicos. Além da falta de cadeiras e mesas, incomodava também a grande parte dos muros estarem pichados.
Mesmo com pouco dinheiro em caixa e muitas melhorias a serem feitas, a direção se viu obrigada a investir R$ 12 mil na pintura dos muros. Foi a hora de mostrar aos alunos o quanto custava a eles próprios as malfeitorias no espaço escolar. “Reunimos todos e explicamos que a verba que havia sido gasta para pintar os muros poderia ser investida em outras coisas, como, por exemplo, o material para educação física, que é uma coisa que eles pediam há muito tempo”. Depois da conversa, muitos alunos pareceram ter se sensibilizado e o número de depredações diminuiu.

Diálogo como remédio
Mas a resposta não foi imediata. Poucos meses depois da pintura, a escola voltou a ser alvo de vandalismo e viu um dos seus muros ser pichado. A direção buscou informações e acabou descobrindo quem eram os autores. “Fomos descobrindo um a um e punindo com suspensões, solicitando pagamento, chamando os pais, procurando alguma forma de responsabilizar as pessoas. Isso deu algum resultado, mas precisávamos de uma iniciativa pedagógica também”, lembra.

O sucesso
O resultado efetivo veio com o início de um processo pedagógico. “Nós precisávamos montar alguma atividade pedagógica para ver se a gente conseguia canalizar essa energia para alguma coisa positiva e construtiva”, lembra o diretor. A escola passou a ter uma série de diálogos com os alunos para que eles percebessem a importância da manutenção do equipamento escolar. A grade curricular iniciou a ter, todos os anos, um espaço para discussões acerca do ambiente escolar. Com essas melhorias, os alunos ganharam a construção de um ginásio e a pintura da quadra de esportes. Hoje eles não precisam se preocupar com classes e cadeiras.

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About the Author

é composta por por cinco profissionais de comunicação. Formados em jornalismo e relações públicas, produzem matérias referentes a zona Sul de Porto Alegre e também de interesse desse público. Contato com a editora, Letícia Mellos. Jornalista formada pela Unijuí - RS



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